A maior parte dos carros que rodam no Brasil utilizam o câmbio manual. O câmbio manual utiliza o pedal da embreagem para fazer as trocas de marcha, por exemplo: quando você liga o carro, aperta o pedal da embreagem para engatar a primeira marcha do carro e sair, quando vai trocar uma marcha aperta o pedal para desacoplar o motor da caixa de câmbio e interrompe o fluxo de potência para ela, quando “passa” a marcha usando o câmbio você solta o pedal da embreagem para que a caixa de câmbio acople novamente a outra engrenagem (cada marcha utiliza uma engrenagem diferente). Dispositivos chamados sincronizadores igualam as rotações da luva de engate e da engrenagem a ser engatada para impedir que haja um choque, conhecido como arranhada.
Sendo assim, no câmbio manual não há fluxo de potência contínua do motor para as rodas. Então no câmbio manual o fornecimento de potência vai de ligado para desligado e novamente para ligado durante a troca de marchas, o que ocasiona um fenômeno chamado “choque de troca” ou “interrupção de torque”, que é na verdade o movimento dos passageiros irem para frente depois para trás por causa do “tranco” causado pela troca de marcha (principalmente por motoristas inexperientes). Já o câmbio automático faz este processo sozinho utilizando um conversor de torque e conjuntos de engrenagens planetárias e não possui pedal de embreagem.
O câmbio de dupla embreagem também conhecido como câmbio semi-automático, câmbio manual sem embreagem, câmbio manual automatizado ou DCT (Dual clutch transmission) utiliza duas embreagens mas não tem pedal, sistemas eletrônicos e hidráulicos sofisticados controlam as embreagens, como em um câmbio automático comum. No DCT as embreagens operam independentemente, uma embreagem controla as marchas ímpares (primeira, terceira, quinta e ré) e outra controla as marchas pares (segunda, quarta e sexta). Usando este arranjo, as marchas podem ser mudadas sem interromper o fluxo de potência do motor para o câmbio. O motorista pode também escolher utilizar um câmbio completamente automatizado, onde as mudanças de marcha são feitas por computador. Uma construção engenhosa de duas árvores separando as marchas pares e ímpares toma isso tudo possível.
Então já está claro o porquê o câmbio DCT foi classificado como uma caixa manual automatizada. O DCT se comporta como uma caixa manual comum: ele tem uma árvore de entrada e árvores auxiliares para acomodar as marchas, os sincronizadores e uma embreagem. O que ele não possui é um pedal de embreagem, na verdade este trabalho é feito por computadores, solenóides e componentes hidráulicos que fazem a troca de marcha, por isso o motorista tem a opção de dirigir utilizando um câmbio “manual” em que as trocas de marchas são feitas ou por uma alavanca ao lado do volante (mais conhecida como borboleta) ou pelo câmbio do carro. E também a opção automática de transmissão no qual o motorista só se da ao trabalho de acelerar e frear o carro.
Talvez a vantagem mais cativante de uma DCT seja a redução do consumo de combustível. Devido ao fluxo de força do motor para o câmbio não ser interrompida, o consumo cai drasticamente. Alguns especialistas dizem que uma DCT de seis marchas pode render uma diminuição de até 10% no consumo de combustível quando comparada a uma cinco-marchas automática.
A tendência é que esse tipo de câmbio seja cada vez mais utilizado por ser prático e fácil de usar, hoje em dia carros mais caros já possuem este mecanismo, mas em breve nós veremos qualquer tipo de carro utilizando o câmbio DCT e por um valor muito menor.




